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O que fazer em um dia em Joinville

Joinville não é uma cidade turística. E essa é a primeira coisa que você precisa saber sobre a cidade.

Com isso eu quero dizer que não tem muito o que ver ou fazer por lá. Nenhuma atração imperdível ou nacionalmente famosa. O que não significa que você vai ficar entediado durante a viagem. Mas sim que você precisa saber que, por mais que Joinville seja uma cidade bem famosa, ela não tem muitos pontos turísticos para te entreter.

Como já expliquei, fui para a cidade catarinense para participar de um congresso. Assim, o objetivo estava longe de ser turístico, mas como eu estaria lá, em um estado que eu nunca antes conhecera, decidi aproveitar a oportunidade (obviamente).

Meu primeiro dia na cidade foi inteiramente dedicado ao congresso, e sendo assim, eu tinha mais dois dias livres, a sexta-feira e o sábado, porque meu voo para São Paulo sairia bem cedo no domingo. Eu e minha amiga, cientes da baixa programação turística e cultural de Joinville para a época, decidimos usar um dos dias para conhecer outra cidade, São Francisco do Sul.

 

Assim, tínhamos um dia inteiro livre para andar pela cidade. No caso, seria uma sexta-feira, emenda de feriado. E posso dizer que conhecer o principal de Joinville em um dia é perfeitamente possível.

O que conhecer no Centro de Joinville?

Conhecida pela Escola do Teatro Bolshoi e pela explícita influência de imigrantes alemães, Joinville conta com alguns museus bem interessantes. O mais famoso deles, o Museu Nacional de Imigração e Colonização de Joinville fica no centro, no final da famosa e belíssima Rua das Palmeiras, ladeada por árvores milimetricamente enfileiradas.

Ele foi fechado em fevereiro de 2018 para passar por uma série de reformas e restauros, e nove meses depois, ainda estava de portas fechadas. Pesquisando para escrever esse post, descobri que ele permanece da mesma forma, sendo que as obras nem mesmo foram iniciadas.

O caso dele não é uma exceção. O Museu da Língua Portuguesa e o Museu Nacional pegaram fogo. Equipamentos históricos e culturais podem ser encontrados sem assistência e respeito ao longo de todo o país. Poucos se importam. Triste? Muito. Mas uma característica que, se destrinchada, diz muito sobre a nossa formação nacional. De país e cidadãos.

Voltando ao turismo (que nunca pode ser dissociado da realidade de onde está sendo feito), o Museu principal de Joinville terá que ficar fora do seu roteiro. Mas inclua a Rua das Palmeiras. Ela é lindíssima e super tranquila. Deixa transparecer o espírito de cidade pequena que Joinville esconde por trás da fachada de maior cidade de Santa Catarina.

Aproveite que já está na região para dar uma olhada no Palacete Schlemm, um prédio histórico na Rua do Príncipe. Inaugurado em 1930, é uma das construções mais imponentes e impressionantes na cidade. Seja por sua beleza ou pela falta de restauro. Mais uma vez, o que vemos é o abandono, porém, o palacete é particular e, aos poucos, está sendo renovado.

Duas atrações um pouco mais ao Norte

Nosso roteiro contava com outros dois museus. Dessa vez, um pouquinho mais afastados do centro. Mas nada muito absurdo. E plenamente possível de alcançar apenas andando.

O primeiro era o Cemitério do Imigrante. Além das interessantes lápides e túmulos com inscrições em alemão, que datam dede 1840, o local ainda conta com a Casa da Memória, que organiza apresentações culturais. Todo o “complexo” ainda conta com visitas guiadas, que explicam um pouco mais da atração e, consequentemente, da história de Joinville. Que, como você já deve ter percebido, é muito impactada pela imigração dos séculos passados.

Porém, por mais que quiséssemos muito conhecer o espaço, ele estava fechado. Então seguimos andando até nossa segunda parada, o Museu de Arte Contemporânea Luiz Henrique Schwanke. Ele fica a cinco minutos de caminhada do Cemitério e é bem fácil identificá-lo. Viu um casarão bonito com um enorme lago na frente? Voilà.

 

O espaço, muito conhecido como Museu de Arte de Joinville (MAJ), foi inaugurado em 1976 na casa que fora de Ottokar Doerffel, imigrante alemão que foi uma das principais personalidades da história da Joinville. A visitação é dividida em duas partes. A primeira, no andar principal da casa, conta com exposições temporárias de artistas locais.
A segunda fica no subsolo, onde uma exposição permanente revela muitos detalhes interessantíssimos sobre a história de Joinville. Ela também fala da importância de Doerffel para a cidade e também sobre a casa que, em si, já é um espetáculo.
O MAJ abre de terça a domingo, das 10h às 16h, e fica na Rua XV de Novembro, número 1.400, no bairro América.
Na frente dele fica a chamada Cidadela Cultural Antarctica, um espaço histórico que já abrigou uma fábrica de cervejas. O local costumava abrigar atividades culturais, mas sem investimentos, estava abandonado quando passamos na frente das construções. Mais uma vez, uma pena.

Joinville em um dia: um pouco mais ao Sul

Se a essa altura do passeio você já estiver com fome, recomendo passar no Mercado Público de Joinville para almoçar em um dos seus restaurantes. Você já terá visto algumas construções de estilo enxaimel pela cidade, mas como mercados são locais bem típicos, vale a pena conhecê-lo. Até para comer algumas delícias características de Joinville.

Museu Casa Fritz Alt é uma boa opção para combinar com o mercado. Ele funciona em uma casa da década de 1940 e exibe obras do escultor Fritz Alt.

Ele fica na Rua Aubé e abre de terça a domingo, das 10h às 16h.

Não fomos ao mercado nem a este museu, que agora são mais dois lugares para a interminável lista de “queria ir, mas não tive tempo-barra-disposição”. Assim como a Estação da Memória, uma antiga estação ferroviária que hoje funciona como museu e equipamento cultural.

Ela fica um pouco mais afastada dos outros pontos turísticos, mas nada que uma caminhada um pouco mais longa não resolva.

O endereço é Rua Leite Ribeiro, e a Estação abre de terça a domingo das 10h às 16h.

Museu do Sambaqui, Zoobotânico e Mirante da Boa Vista

Para a parte da tarde, eu recomendo três passeios. Primeiro, o Museu do Sambaqui, seguido do Zoobotânico e do Mirante da Boa Vista.

Museu do Sambaqui é gratuito e interessantíssimo. Principalmente se você gosta de história, cultura e arqueologia. Ele explica tim tim por tim tim da importância arqueológica da região de Joinville, que possui 42 sambaquis: sítios arqueológicos que, formados principalmente por cascas de moluscos, preservas detalhes da pré-história brasileira.

No museu você encontra diversas informações sobre os sambaquis e, principalmente, objetos e vestígios encontrados nos sítios já escavados na região. Vale muito a pena conhecer.

Ele abre de terça a domingo, das 10h às 16h. O museu está localizado na Rua Dona Francisca, 600.

As atrações do Morro da Boa Vista

Depois do museu, minha recomendação é andar até a entrada do Zoobotânico. O zoológico da cidade, pelo que pudemos observar, é o local preferido dos moradores em dias de folga. Assim como o Mirante da Boa Vista.

Os dois estão localizados no complexo do Morro da Boa Vista, cujo acesso pode ser feito de duas maneiras. Você pode fazer uma caminhada ou pegar um ônibus, o 2015. Minha recomendação é pagar a passagem de ônibus no guichê que fica bem no começo do Morro, subir andando até o Zoobotânico e, de lá, pegar o ônibus até o Mirante da Boa Vista.

Isso porque a primeira subida é bem tranquila. A segunda, nem tanto. Mas pode ser uma ótima opção se você gosta de trilhas e caminhadas.

Zoobotânico

A entrada para o Zoobotânico é gratuita, e lá dentro você vai encontrar, além de crianças muito empolgadas, diversas espécies, principalmente de primatas. Não se trata de um zoológico gigantesco com animais de diversas partes do mundo, o que nem mesmo sustentável seria. Mas é um passeio bem interessante, principalmente para quem viaja com crianças pequenas.

Depois de conhecer o Zoobotânico, atravesse a rua espere pelo ônibus 2015, que sai do Terminal Central e faz uma parada ali na frente. Em menos de 20 minutos vai te deixar no Mirante da Boa Vista. Lá, a subida é gratuita e você pode optar pelo elevador ou pelas escadas. Qualquer uma das opções é tranquila, e se você escolher pelos degraus, vai se sentir recompensado pela vista.

Mirante de Joinville

Do Mirante é possível ver toda a extensão de Joinville, e até mesmo cidades vizinhas, como São Francisco do Sul. É um dos passeios que mais vale a pena na cidade, principalmente para identificar as regiões  partes dessa região de Santa Catarina. Se você vai ficar em Joinville em um dia apenas, e está selecionando os passeios, eu não deixaria esse de lado.

Para voltar, o ônibus 2015 é gratuito e faz algumas paradas até chegar perto do Terminal. Mas já aviso que o embarque é bem disputado e rola uma boa bagunça.

O Zoobotânico funciona de terça a domingo, das 09h às 18h, e ele fica na Rua Pastor Guilherme Ráu, 462. O Mirante abre todos os dias, das 07h às 17h.

Joinville em um dia: onde jantar? Shopping Mueller ou Visconde de Taunay

Se você vai conhecer Joinville em um dia, eu recomendo jantar em um dos restaurantes da Rua Visconde de Taunay, a mais movimentada da cidade depois que o sol se põe. Mas, se você quiser economizar, o Shopping Mueller também possui boas opções.

Os restaurantes da Visconde de Taunay se espalham por toda a rua, e você terá dezenas de opções por ali. Eu fui em dois deles e, como a experiência foi ótima, posso recomendá-los.

O primeiro é o Didge Steakhouse Pub, um restaurante de comida australiana. Com um crocodilo na calçada, tentando conquistar clientes, o restaurante possui um ambiente bem gostosinho, música ao vivo e opções gostosas. Eu não consumo bebidas alcoólicas, mas eles também têm uma grande variedade no bar. O preço é mediano. Não é um lugar barato, mas eles entregam a qualidade que prometem.

O segundo, um pouco mais afastado do centro, é o Biergarten, de comida alemã. Eles possuem pratos bem tradicionais ao lado de outros mais modernos e adaptados, e todos são excelentes. O restaurante é bem famosinho na cidade (daqueles que exibem uma parede com fotos de celebridades que já passaram por ali), e toda a fama é justificada.

Toda a decoração e o vasto cardápio, que também não é barato, chamam a atenção e te fazem ter vontade de entrar. Eu não resisti, e acho que você também não deveria.

Shopping: por que não?

Bem mais barato e com clima de praça de alimentação, o Shopping Mueller é bem diverso e democrático. Lá você encontra um Madero e também um McDonald’s. Comidas japonesa, chinesa, italiana e nordestina.

Na nossa última noite na cidade, decidimos economizar e fomos para lá. Eu optei pelo Saporito, um italiano igual ao famoso Spoleto. Pedi um carbonara e fiquei bem satisfeita, por mais que ele não seja bem o tradicional. Mas sejamos honestas, a maioria dos restaurantes ignora a receita original e coloca creme de leite no macarrão.

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