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5 Coisas para fazer em um bate-volta de um dia em Segóvia

A Europa dos meus sonhos sempre foi a medieval. Cidades muradas. Castelos gigantes. Ruas estreitas. Igrejas em toda esquina. E Segóvia é exatamente assim.

Quando decidi ir para a Espanha, sabia que queria alguns dias em Madrid, alguns muitos dias em Salamanca (mais um sonho de infância), e ao menos um dia em uma cidadezinha medieval nos arredores.

Descobri que as duas mais acessíveis e populares eram Segóvia e Ávila. O plano inicial era, de fato, conhecer as duas. Mas como o euro estava caríssimo e eu dependia de ônibus e trens, a opção mais viável foi Segóvia.

E eu não me arrependi dessa escolha.

Vire à esquerda após subir a escadaria do Aqueduto. Você vai encontra ruas assim

A primeira vez que ouvi falar da cidade foi em 2006. Tinha entre oito e nove anos e uma professora de espanhol cujos pais eram nativos. Ela decidiu fazer um dia especial sobre a cultura espanhola na escola. E pela primeira vez comi tortilha. E vi uma foto do aqueduto romano de Segóvia.

Doze anos depois eu peguei um trem na estação de Salamanca, às 06h50 da manhã, rumo a Segóvia.

Como chegar?

Segóvia fica na região de Castilla y León, no norte da Espanha, a 96km de Madrid e 153km de Salamanca. Ela cabe perfeitamente em um bate-e-volta, e pode ser alcançada pelos trens da Renfe (mais detalhes aqui), pelos ônibus da Avanza ou de carro. Os ônibus são mais baratos, porém há mais opções de horários de trem.

Estação Segóvia-Guiomar

É bom saber que a cidade conta com duas estações de trem: a Segóvia-Guiomar,  que recebe os trens de alta velocidade e de maiores distâncias, e a estação regional. Muito provavelmente você vai chegar pela Segóvia-Guiomar, de onde saem ônibus a dois euros rumo ao centro. Além da oferta constante de táxis (que podem valer a pena se você estiver com mais duas ou três pessoas).

Os valores dos trens variam muito. No caso, eu paguei 25 euros para os trajetos de ida e volta, cerca de 12 euros o trecho.

A cidade

Segóvia atrai muitos turistas e os motivos são vários. A chamada cidade velha (área histórica) e o aqueduto romano foram declarados Patrimônios da Humanidade da UNESCO em 1985, sendo que as primeiras ocupações humanas na região datam de 60 mil anos atrás.

A cidade está na história do Império Romano (que há dois mil anos construiu o aqueduto que corta a cidade e é considerado a principal obra romana da Espanha), foi repopulada em 1088, tem os primeiros registros de seu palácio, o Alcázar, em 1122 e um bairro judeu desde o século XII.

Andar pelas suas ruas é viajar por tantas épocas e símbolos importantes que emociona. Por isso, chegue bem cedo, antes das multidões de turistas, e sinta o gosto de ter a cidade só pra você por algumas horas.

Você só vai conseguir uma foto assim, sem mais ninguém sob o aqueduto, se chegar cedo

Com a companhia de dezenas de pássaros, responsáveis pela exclusiva trilha sonora de Segóvia.

O que fazer

A cidade possui centenas de opções culturais, com igrejas e museus a perder de vista. Mas se você só tem um dia por ali, eu recomendo cinco programas. Eles fazem possível conhecer bem Segóvia, mas sem pressa.

Plaza de Medina del Campo

Porque eu não sei vocês, mas viajar me ensinou a não correr para bater ponto em locais turísticos. Prefiro sentar na praça da igreja e passar uma meia hora observando o movimento.

1. Deixar o queixo cair com o Aqueduto Romano

Ele é a primeira coisa que você vai ver na cidade. Corta o coração de Segóvia em pedras que, apenas apoiadas umas nas outras, formam um monumento de 28 metros de altura, com 167 arcos.

Ele está ali há aproximadamente dois mil anos, desde o fim do império de Trajano e início de Adriano. E é impossível não se emocionar. E ficar um bom tempo andando por entre suas colunas, encostando nas pedras que o compõem.

Vista do mirante

Hoje em dia, ele não funciona mais, porém o aqueduto já foi responsável por levar a água desde o Puerto de La Fuenfría até depois do Alcázar.

Recomendo tirar muitas fotos, principalmente do mirante que fica no lado direito do final da escadaria rumo à cuidad vieja.

É o melhor ponto para as melhores fotos. E já fica no meio do caminho para seus próximos destinos.

2. Se perder nas ruas da Ciudad Vieja e do Bairro Judeu

 

Ao subir no aqueduto você cai na ciudad vieja. E ali a melhor coisa é se perder pelas ruas, de preferência bem cedinho, para encontrar casinhas lindas, placas antigas e a atmosfera que faz de Segóvia um lugar tão especial.

Rua da Santa Iglesia Catedral de Nuestra Señora de la Asunción y de San Frutos

Eu andava por ali de boca aberta. Ou com o queixo caído. Ou sorrindo.

Se você já tiver conhecido outras cidades pequenas da Espanha, aproveite para comparar as arquiteturas e descobrir as influências em cada uma das localidades.

Toda quinta-feira a Plaz Mayor recebe uma feira

Passe pela Plaza Mayor – um clássico da Espanha – e antes de fazer uma visita à Catedral de Segóvia, conheça um pouco do Bairro Judeu, bem ali nos seus arredores.

A chamada Judería corresponde ao Bairro Judeu, região ocupada entre o século XII e 1492, quando a população hebraica foi expulsa pelo Édito de Granada. A cidade é super bem sinalizada e vai ser fácil encontrar as ruas do bairro, também muito tranquilo de ser identificado: você logo percebe a diferença das grafias nos toldos e placas.

3. Visitar o Alcázar

Que atire a primeira pedra quem nunca quis visitar um castelo medieval. Ainda mais um que inspirou Walt Disney a criar os castelos das princesas de suas animações. Porque esse é o caso do Alcázar de Segóvia.

Ele é um verdadeiro sonho. Depois de caminhar por toda a extensão da ciudad vieja, chegue até ele, localizado na beira de um penhasco.

Todo o visual é incrível e realmente parece que você entrou em um conto de fadas. Os jardins que levam até o palácio são muito bem cuidados. E principalmente, a vista, é de tirar o fôlego.

Dali do jardim você consegue ver os arredores de Segóvia, incluindo rios, clareiras a perder de vista, a típica vegetação rasteira do norte da Espanha e também algumas igrejas românicas perdidas pelo caminho.

Vista dos jardins para a Iglesia de la Vera Cruz

Com o sol e céu limpo, você até esquece que há semanas não come uma refeição decente para poder economizar. Até porque está prestes a pagar oito euros na entrada para o Alcázar e a Torre de Juan II.

A fundação do castelo tem, muito provavelmente, origens ainda romanas, e depois disso, ele foi uma fortaleza islâmica, da época dos mouros, foi reconstruído em 1122, com a reconquista pelo Reino de Leão, e reformado diversas vezes ao longo da história.

Ele foi a residência do rei Afonso VII e sua esposa Leonor Plantageneta (você definitivamente já ouviu falar dessa linhagem nas aulas de história) e a principal casa dos reis de Castela durante a Idade Média.

Vista para o castelo a partir da Torre Juan II

O Alcázar desempenhou um papel-chave em vários outros momentos da história espanhola, até ser declarado monumento histórico-artístico em 1931. Desde então, ele se tornou um dos pontos turísticos mais famosos do país.

E sabe aquelas maquetes de história, em que uma ponte levadiça sobre um riacho ligava o castelo ao resto do feudo? Você vai passar por uma dessas e lembrar do seu professor de história do Fundamental.

Depois disso, guie-se pelo folheto informativo que você recebeu na bilheteria e conheça todas as mais de 20 salas abertas para a visitação. E não se esqueça de olhar para cima.

Teto da Sala de la Galera

Uma das coisas que eu gosto de frisar quando falo das grandes catedrais europeias que eu já conheci, é que elas explicam muito de todo o contexto da Idade Média. Basta prestarmos atenção na nossa reação ao entrar em uma.

Sala de Reyes

O gótico impressiona. Os vitrais emocionam só por estarem ali. A altura das abóbadas é sempre surreal. E a gente perde o fôlego.

Fazemos isso hoje, quando as tecnologias já exploraram todas as formas possíveis de deixar humanos estupefatos. Imaginem isso no começo do milênio passado.

A gente entende a devoção. Compreende facilmente a grandeza de deus para os medievais. E o mesmo acontece, só que com outro viés, quando entramos em um castelo da Idade Média e olhamos por suas janelas.

Todo o castelo é exuberante e exagerado. E pelas janelas, é possível ver, dali de cima, praticamente toda a cidade e os arredores. Lembrando, isso na Idade Média.

Como não ligar a monarquia à religião e compreender toda a estrutura que fazia funcionar a ideia de que os reinos eram uma determinação divina? Era como se eles estivessem no topo do mundo.

Depois da visita ao palácio, suba à Torre Juan II caso tenha comprado o ingresso, o que eu recomendo.

A subida é meio íngreme e cansa um pouco. Mas eu tenho problemas nos joelhos e de circulação e sobrevivi, se isso for parâmetro para alguém.

Torre Juan II

A vista vale a pena. E todo o trajeto pelo caminho claramente medieval também.

A melhor vista de Segóvia você só consegue na Torre, com a Catedral e a muralha

Endereço: Plaza Reina Victoria Eugenia

Horários: no verão, das 10h às 20h; no inverno, das 10h às 18h, exceto feriados

Preços: 8 euros para a entrada completa (palácio + torre); 5 euros para o palácio; 2.50 euros para a torre. Estudantes paga tarifa reduzida

4. Visitar a Catedral

Na volta do Alcázar, visite a Santa Iglesia Catedral de Nuestra Señora de la Asunción y de San Frutos, cujo nome é tão grande que a gente só abrevia para Catedral de Segóvia.

Ela pertence ao gótico tardio, foi construída entre os séculos XVI e XVIII e é conhecida como a Dama das Catedrais.

É preciso pagar para entrar e, por isso, eu passei a visita. Mas mesmo assim eu a recomendo, afinal, sou muito fã de igrejas e suas arquiteturas, então por que não? Ela fica ali na Plaza Mayor, bem no coração da ciudad vieja.

Endereço: Calle Marqués del Arco, 1

Horários: das 09h30 às 10h30 durante o inverno, das 09h às 21h30 no verão

Preços: 3 euros para visitar a Catedral, 7 euros a visita guiada para a Catedral e a Torre; é possível comprar pela internet

5. Encontrar igrejas românicas no meio do caminho

Iglesia de San Andrés

Mais um clichê das cidades medievais são as igrejas românicas. Elas costumam ser o primeiro movimento arquitetônico que a gente estuda em História da Arte, e em Segóvia, podemos encontrar dezenas delas.

Iglesia de San Martín

Basta caminhar pelas ruas com o radar ligado para construções religiosas de paredes grossas, com pedras rústicas, e normalmente acabamento arredondado, em termos leigos.

Iglesia de San Millán, com a Catedral ao fundo

Elas são extremamente antigas, muitas construídas em mil cento e poucos, e são um ótimo contraste com a Catedral, para compreender em poucos quilômetros as mudanças arquitetônicas durante a Idade Média.

Iglesia de San Miguel, onde a Rainha Isabel foi proclamada rainha de Castela

Uma delas possui uma grande importância histórica, por ter sido onde a Rainha Isabel foi corada em 1474. É a Iglesia de San Miguel, que fica la Calle de la Infanta Isabel, a poucos passos da Plaza Mayor.

Iglesia de San Clemente

Uma dica: algumas delas, como a Iglesia de San Clemente, ficam fora da ciudad vieja.

Onde comer

Eu não fui um bom exemplo de turista gastronômica em Segóvia. Estava com poucos euros, recordo. Mas a cidade tem uma série de restaurantes no maior estilo espanhol: você paga um preço fixo pelo cardápio do dia.

Além disso, a cidade também tem várias opções de mercadinhos e fast food – eu comi no 100 Montaditos, por exemplo.

Links Úteis

Renfe

Avanza

Alcázar de Segóvia

Santa Iglesia Catedral de Nuestra Señora de la Asunción y de San Frutos

100 Montaditos

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