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Sobre passar o 14 de julho e a final da Copa de 2018 na França

Foi sem querer. Quando percebi, tinha marcado minha passagem de Madrid até Paris para o dia 14 de Julho. O dia da Queda da Bastilha.

Um dos feriados mais especiais (ou o mais especial mesmo) da França, ele muda a rotina das cidades. E em Paris, não poderia ser diferente.

Minha experiência em 2013 me mostrou que tudo fica mais alegre. Os franceses gostam de comemorar o 14 de Julho. E o fazem com muito orgulho: atividades e apresentações acontecem durante todo o dia, e vão desde o desfile militar na Champs-Elysées até a tradicional queima de fogos na Torre Eiffel.

Como meu voo chegou relativamente tarde, às 16h, eu corri para o meu hostel, tomei um banho rápido e corri para as ruas. Porque não há nada de mais gostoso do que sentir a atmosfera festiva e animada do Dia da Queda da Bastilha.

Comecei pelo Jardim de Luxemburgo, onde apresentações musicais deixavam o cenário ainda mais mágico. Depois, percorri as ruas de Saint Germain e me acomodei na Pont Neuf, de onde muitos já esperavam para ver a queima de fogos na Torre.

Este é o programa mais tradicional. A queima começa aproximadamente às 23h, já que antes disso ainda está claro no verão europeu, e vai até às 00h.

É um espetáculo bonito? Sim. Mas toda a atmosfera do 14 de Julho é o que faz desses momentos realmente especiais. A cidade vibra de uma forma diferente. Tudo está decorado em azul e vermelho. As aulas da Revolução Francesa fazem sentido. E a viagem ganha todo um novo significado.

Se minha segunda visita à Paris já não estivesse sendo especial, a França foi para a final da Copa do Mundo de 2018. E a partida final seria no dia seguinte, dia 15 de julho.

A cidade mais uma vez estava um furor. Allez les bleus, o canto oficial da seleção francesa, ecoava em todos os cantos. Camisas azuis e vermelhas eram vendidas por todos os lados. E o franceses não conseguiam conter a emoção.

Uma emoção bem diferente da brasileira, vale ressaltar. Mas que ainda contagia (por mais que de certo contida).

Eu decidi passar o dia em alguns lugares que amo na cidade (Notre Dame, 11ème, Galeries Lafayette), e depois fui até o Hotel de Ville, onde todos os jogos estavam sendo transmitidos. No meio do caminho descobri que, como um telão fora montado na Torre, não haveria transmissão na prefeitura.

Mas continuei mesmo assim. Não queria a certeira confusão nos arredores da Champs de Mars (o que aconteceu, e foi bem feio, inclusive). Então me acomodei do lado de fora de um bar, junto de muitas outras pessoas, para assistir ao primeiro tempo da partida com a Croácia.

Ali, descobri que os franceses gostam de bater palmas quando gols ou boas jogadas são feitas. Eles ficam em silêncio quando nada de especial acontece. E surtam quando sai um gol.

No intervalo corri até Saint-Germain. Me sentei na calçada, ao lado de muitos outros franceses que mal enxergavam às TVs dos restaurantes. E torci com eles. E comemorei antropologicamente quando a França foi campeã da Copa do Mundo. Não parecia real tamanha a coincidência. E a loucura temporária dos locais.

Pelo noticiário você ficou sabendo que Paris teve as margens do Sena trocadas por algumas horas. Vi muitas pessoas nuas. Subindo em árvores. Quebrando garrafas. Sobre veículos em movimento. Se jogando em avenidas. Uma verdadeira catarse coletiva. Com algumas imagens que eu preferiria esquecer.

O dia seguinte? Mais um caos. E mais uma experiência incrível de viagem, de uma pessoa que há muitos anos não via o país onde estava ser campeão da competição.

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