Toda viagem tem um perrengue

Disney: lá vamos nós de novo! Dessa vez com mais emoção!

Olá queridos amigos da Camis!

Tudo bem com vocês? Continuam se cuidando direitinho? Eu sei que logo logo vamos precisar de uma vacina que nos defenda do ódio que criamos do “alquingel”, mas calma, há uma luz no fim do túnel. Enquanto essa luz não se mostra de forma tão intensa, vamos comigo para a Disney mais uma vez? Sim, mais uma vez!

Essa viagem vem na sequência da trip para a Europa – o que passamos a chamar de “férias das férias”. “Ai, que fina”. Verdade! Mas te falo que nessa viagem aqui contamos com uma “mãozinha” muito especial. Um casal de amigos – que somos padrinhos de casamento <3 – ganhou 7 dias de hospedagem com acompanhantes num hotel sensa em Orlando. Quem eles convidaram??? Isso mesmo, eu e a avareza, digo, eu e meu marido! É aquela máxima, quem tem amigos, tem tudo! E quem amigos maravilhosos, tem tudo e tem viagem para a Disney também hahaha.

Como comentei, essa viagem começa na sequência da viagem para a Europa, com três dias de parada no território nacional – também conhecido como “nossa casa” – para respirar o mesmo ar que a família (naquela época podia!) e voltar a ter contato com a melhor comida que existe no mundo: a comida brasileira.

Miami (de novo) e sem plano de dados (de novo)!

A viagem começa com uma ida separada dos nossos amigos – como já estávamos de férias mesmo, chegamos antes para aproveitar a doce (nem tanto) Miami. Mas deixamos combinado que os buscaríamos no aeroporto e seguiríamos a viagem juntos. Muito que bem. Chegou a hora aproximada de desembarque deles em Miami e lá estávamos, aguardando a Ge e o Di. É claro que dessa vez estávamos com plano de dados internacional para facilitar o encontro com os nossos amigos no aeroporto! Só que não. E é claro que paramos o carro no estacionamento para facilitar o encontro com os nossos amigos no aeroporto! Só que não 2. Viver com emoção é o lema do moço – ele, meu marido.

Sim, o aeroporto de Miami oferece conexão gratuita para você, chuchuzinho que está no ambiente, porém, é uma conexão limitada (em 2015 era!) para apenas 30 minutos de uso. Se o voo atrasar, a fila da imigração estiver maior, e passar os 30 minutos, ah, meu bem, faz uma conexão com Deus e pede ajuda. É só o que te resta. Corta a cena, após 30 minutos uma pessoa indo e voltando, subindo e descendo no saguão do aeroporto – certeza que tinha um agente da polícia local, à paisana, avaliando tal comportamento esquisito e já pensando numa abordagem e deportação. Mas como Deus abençoa os viajantes, nossos amigos conseguiram encontrar o local que tínhamos indicado como ponto de encontro e seguimos felizes até Miami Beach.

“Silver alert”

Passeamos pela praia, jantamos e seguimos até um hotel temporário, que nos abrigaria por uma noite, na metade do caminho entre Orlando e Miami. Estávamos numa Santa Fé prata, seguindo plenamente pela rodovia quando passamos por um letreiro digital que dizia “Silver Alert! Santa Fé” e o que parecia ser a placa de um carro, além do número da polícia e os dizeres: “se virem esse carro, entrem em contato”.

Olha, a gente poderia ter ignorado esse alerta, mas em todos os letreiros digitais da estrada essa mensagem aparecia pra gente! Ou seja, era um alerta para nós – na nossa cabeça, claro. Fizemos ali a tradução: silver é prata, o nosso carro alugado era prata. O modelo era o mesmo que o indicado no letreiro… E lá vamos nós procurar o documento do carro para averiguar a placa. Momentos de pânico e a certeza de que éramos foragidos.

Nisso, meu amigo já estava com o celular na mão – finalmente alguém com juízo o suficiente para ter um plano de dados internacional – e estávamos prontos para ligar para a polícia e nos entregar. Não, não tínhamos feito nada de errado, mas sabem como a mente do ser humano pode ser criativa, né? Até achar o documento do carro e perceber que a placa era diferente, tínhamos certeza que seríamos presos  e deportados pelo simples fato de estar trafegando pela estrada numa noite qualquer – vai saber, né? Acontece todo dia.

Mais tarde, pesquisando com calma – e Wi-Fi – descobrimos que Silver Alert é um sistema de notificação pública nos Estados Unidos para transmitir informações sobre pessoas desaparecidas, especialmente idosos com doença de Alzheimer, para ajudar na localização dessas pessoas. E os letreiros digitais se acendem automaticamente toda vez que um carro se aproxima – logo, não estava acendendo para nós especificamente, mas sim para qualquer carro que passasse por eles. E a gente achando que era especial…

Na vida, mores, viajantes acumulam conhecimento, porque o nervoso que passamos com essa situação não vamos esquecer nunca. Te garanto.

Orlando

Depois de uma boa noite – depois do susto, a gente merecia  – acordamos bem cedinho no dia seguinte para aproveitarmos um dos parques. Começamos com o Sea World e suas maravilhosas montanhas-russas que apelidamos de “voltinhas” – loopings dos mais variados capazes de trocar a posição dos seus órgãos, coisa pouca rs.

Fim da tarde partimos conhecer o hotel onde ficaríamos nos próximos 7 dias. Não sei vocês, mas sempre fico ansiosa por este momento, confirmar se é tudo aquilo que as fotos mostram. Neste caso, fomos surpreendidos positivamente! Ficamos num apartamento com uma sala imensa, cozinha, duas suítes e até varanda – coisa fina, mores. O moço estava pleno! Ficar hospedado num lugar como esse sem pagar nada? A avareza chega a fazer festa.

O local contava com uma grande infra, incluindo piscinas, restaurantes e sala de jogos. Precisávamos ir ao mercado, afinal, tínhamos que garantir os lanchinhos para os parques e o café da manhã. Mas diante de tantas opções de atividades muito mais divertidas no hotel, escolhemos deixar as compras para depois – super sensato: parque + piscina + sala de jogos = mercado de noite sendo feito com pessoas em ótimas condições físicas e psicológicas – só que não! Rs

Modo Walmart x One dollar meal

Depois de curtir muito a infra do hotel, nos direcionamos para o Walmart mais próximo. Mores, me permitam que eu conte um pouco mais como é a experiência num mercado gringo… Parece que você entrou em outro mundo, mesmo que o formato seja exatamente o mesmo que os grandes mercados brasileiros, te digo que o mercado gringo te seduz pela diferença nos rótulos, produtos únicos e regionais, tamanhos diferenciados – no caso dos EUA, tudo é imenso. Um único pacote de salgadinho alimenta o mesmo tanto que uma cesta básica. É surreal. Então, a experiência de fazer compras acaba sendo um bocado divertida e curiosa – deveria, pelo menos. O que a gente não pode esquecer é que temos aqui 4 viajantes que já enfrentaram estrada, “voltinhas”, peripécias no hotel e agora estavam mortos de cansaço para enfrentar um Walmart.

Além de exaustos, estávamos com muita fome.  Ou seja, a receita do caos. Mesmo assim, eu, gordinha empolgada com o preço do Haagen Dazs na gringa, lanço “Precisamos pegar sorvete!”. Meu amigo, super cansado e morrendo de fome, rebate: “São 22h30 e você está pensando em sorvete?”. Errado ele não tava, né? Foi aí que surgiu o que passamos a chamar de  “modo Walmart”, que é quando você já está absurdamente exausto e mesmo assim insiste em ir ao mercado já num humor levemente comprometido. Hoje, se você estiver cansado e de mal humor, pode lançar que está em “modo Walmart” hahaha

Foco na comida, que é o que vai fazer a gente fechar essa noite com chave de ouro – ou não. Pois bem, o moço (meu marido), se lembrou que no Walmart existe o que chamam de “onde dollar meal”, traduzindo, refeições congeladas que custam apenas um dólar. Dizem que “quem converte não se diverte”, então o moço não se diverte nunca, pois numa viagem para fora, ele só pensa em conversão. Logo, um prato que sai por apenas um dólar é sinônimo de alegria. Cada um escolheu um para o jantar, pagamos o necessário para os lanchinhos nos parques e também para o café da manhã.

Chegamos no hotel e fomos direto esquentar as nossas refeições de um dólar – algumas vinham até com sobremesa. Ótimo. Talvez não tão ótimo assim. Vamos dizer que essas refeições têm um sabor um tanto quanto limitado e as divisórias não foram suficientes para impedir que o brownie de chocolate misturasse levemente com o purê de batatas. Vejam vocês que eu e o moço estávamos aqui quase como guias para os nossos amigos, já que era a primeira vez deles na terra do Tio Sam. Aí vem aquele questionamento: quem indica one dólar meal a amigos que estão mortos de fome após um dia exaustivo? A gente, mores. A gente.

Brinquedos de água

Nos dias que se seguiram, fizemos questão de manter distância das refeições de um dólar, mas decidimos experimentar uma coisa nova – refeições de 2 dólares! Há, mentira. Eu e o moço nunca tínhamos ido nos famosos brinquedos que molham. Sim, as pessoas amam, mas eu sempre evitei – de besta que sou. Contudo, nossos amigos nos convenceram a ir em vários deles e foi sensacional. A parte chata mesmo é ficar completamente molhado o tempo todo e andar pelo parque com o tênis fazendo “tchec, tchec” hahaha.

Em um dos dias que fomos nesses brinquedos várias vezes, chegamos no carro para voltar para o hotel completamente encharcados. A solução foi pendurar as meias nas saídas de vent     o do ar condicionado do carro – é mores, o brasileiro não tem limites. Criamos dentro do carro uma estufa de chulé com cheiro de bicho morto, um sucesso.

Chegamos no hotel e tivemos a brilhante ideia de colocar os tênis na secadora! Por que não, não é mesmo? Imaginem vocês o barulho dos calçados batendo dentro da máquina e a cada 5 minutos a porta da secadora abrindo e “cuspindo” um tênis para fora. Não vou me surpreender se os fabricantes começarem a adicionar uma etiqueta com aviso “não colocar vários tênis ao mesmo tempo”. Parecia que a gente estava matando alguém. O barulho estava tão alto que chegaram a bater na nossa porta – cara de pau que somos, fingimos que não tinha ninguém no apartamento – apenas tênis com vontade própria que entram na secadora voluntariamente. Vivendo próximo da tênue linha que divide o perrengue da deportação. Sempre.

O resultado não podia ser diferente – metade dos calçados saíram com a sola descolada. Parabéns aos envolvidos!

Mas segue o jogo que estamos chegando no final da viagem e queremos fechar com chave de ouro. Para quem gosta de montanha-russa, o melhor parque certamente é o Busch Gardens. O que não falta lá são as “voltinhas”, diria que intermináveis. É looping atrás de eita, atrás de grito, atrás de looping. Se pensar muito, você não vai em nenhum brinquedo, porque o negócio é para quem tem estômago forte.

 

Uma opção bacana em alguns parques é a possibilidade de comprar uma garrafinha de refrigerante com “free refil”, ou seja, reabastecimento de refri “de graça” mediante a compra dessa garrafa especial. A América, mores, quer que você se esbalde, quer que você aproveite as delícias da indústria, mesmo que isso comprometa a sua saúde física e mental. A minha amiga, que levou a sério o refil de Coca-Cola, teve contato com um nível de cafeína jamais visto antes nas terras tupiniquins. Pois muito que bem, imaginem uma pessoa frenética? Eu ia precisar de 10 refis de Coca e umas cinco latas de Redbull para entrar no ritmo dela. As cenas que seguem são de um casal de amigos indo nas montanhas-russas 5 vezes seguidas! Só de olhar, eu já estava passando mal.

Faltou o disclaimer sobre os perigos da América… faltou.

Tchau, Mickey

Depois de uma semana com os órgãos revirados, chegou a hora de partir. Voltaríamos por Miami, então adotamos a mesma estratégia de dormir em um hotel no meio da estrada. Acordamos cedo, pegamos algumas coisas do café da manhã do hotel para comer no carro mesmo para não comprometer o horário do voo. O que a gente esqueceu é que Miami é uma cidade grande, é um lugar com trânsito, muito trânsito. Ficamos muito mais tempo tentando chegar no aeroporto do que tínhamos previsto, estávamos realmente no limite para fazer o check-in quando paramos para abastecer o carro para devolvê-lo com tanque cheio à locadora.

O problema é que o processo de abastecimento na terra do Tio Sam      é diferente do nosso – e acho que até mais complicado. Primeiro que é você quem abastece, segundo você tem que olhar para o ponteiro do combustível e chutar um valor que seja suficiente para chegar no tanque cheio. Aí você se dirige até a loja de conveniência e paga um valor para liberar a bomba onde você parou. Acontece que o moço, com medo de errar para mais e perder um dólar, errou para menos. Foi assim que de um em um dólar ele foi tentando chegar no tanque completo. A gente super atrasado para o voo, e a pessoa indo até a loja de conveniência, pagando 1 dólar e voltando. Indo até a loja de conveniência, pagando 1 dólar e voltando. Olha, se eu estava surtando, imaginem meus amigos que não conviviam com a avareza tão de perto assim?

Chegamos no aeroporto desesperados, entregamos o carro e corremos para o check-in. Conseguimos, mas tínhamos que correr para a área de embarque. No meio do caminho o moço se lembra que sobraram algumas moedas de dólar. Nós temos uma tradição de gastar as moedas no aeroporto – quando você casa com a avareza, cartão de crédito não é uma realidade. O dia  que o moço topar pagar IOF, o Cristo Redentor baterá palmas no Rio –, comprando sempre um Starbucks, mas essa tradição só é válida quando temos tempo para fazer isso. No caso, a gente estava mesmo prestes a perder o voo. Mas o bom senso, mores, não habita o moço quando o assunto é dinheiro. Só de pensar em voltar para casa com moedas que não nos seriam úteis no Brasil, ele já ficou desesperado. Mais vale um Starbucks na mão do que a garantia de embarque no voo para o Brasil. Realmente, faz todo sentido. Aham.

Nessa altura eu já tinha a certeza de que nossos amigos nos odiavam! Hahaha Como pode uma pessoa     atrasar ainda mais um processo já atrasado? A sorte é que eles são muito tolerantes e, mesmo depois de todos esses perrengues, continuam sendo nossos amigos até hoje! Ufa! rs

No Brasil, a surpresa

Poucas semanas após a volta da viagem, tivemos uma maravilhosa surpresa! Recebemos uma multa por utilização indevida da secadora do hotel! Haha mentira. Era notícia boa mesmo. Minha amiga estava gravidíssima! “Mas Natasha, a moça foi em 50 montanhas-russas, tomou 20 litros de Coca-Cola, estava tomada de cafeína, que perigo! Ela já estava grávida na viagem?”. Estava sim, mores, mas não sabia. Mas é o que eu sempre digo para vocês, existe uma entidade, um Deus, uma força, uma energia que atua em favor do viajante. E deve existir também uma para mães e para bebês, pois a linda Beatriz nasceu nove meses depois completamente saudável! Um presente para eles e para nós, o que tornou essa viagem ainda mais especial – mesmo que cheia de perrengues! Hahaha

Um agradecimento especial a Ge e o Di que nos convidaram para viver esses momentos únicos ao lado deles e suportaram a nossa loucura por uma semana!

Para você, lindeza que está aguardando fortemente a oportunidade de viajar o mundo afora, nosso próximo embarque é para a Europa novamente! Eu sei, estou toda trabalhada      no esnobismo, mas te prometo que você vai amar saber que os perrengues não têm limites!

Um beijo enorme no seu coração viajante!

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