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Como é viajar de São Paulo a Santiago com a LATAM

Então eu decidi passar 10 dias no Chile. Fechei minhas férias no trabalho. Comecei as pesquisas. E comprei as passagens. Primeiro de Santiago a Calama. Depois, de São Paulo a Santiago pela LATAM. Essas histórias eu já contei em posts anteriores, mas vou deixar um resumo, bem curto e prático, nos próximos tópicos.

Porque eu quero mesmo é falar logo da minha experiência de voo entre o Brasil e o Chile.

Comprando as passagens: de São Paulo a Santiago com a LATAM

Um breve resumo da minha experiência comprando essas respostas pode ser a expressão iminência do desastre. Eu fui displicente. E se você não quiser fazer como eu, que por pouco poderia ter perdido um voo, siga as minhas dicas (e leia o post anterior)

  1. Se sua ida ao Chile envolve cidades além de Santiago, e você sabe que vai ter que pegar alguns voos para chegar aos destinos, saiba que com a LATAM, comprar os trechos internos no site chileno da companhia é mais barato do que comprar no brasileiro.
  2. Saiba também que isso significa fazer reservas diferentes para os seus trechos. O que significa ter que tomar MUITO cuidado para, em voos de reservas diferentes acontecendo no mesmo dia, você não correr o risco de perder um deles.
  3. Se você perder um voo por conta do atraso de outro, que não estava na mesma reserva, a companhia não vai te ajudar. Você vai se ferrar sozinho.
  4. Como resolver isso? Escolhendo conexões longas, comprando passagens com tarifas flexíveis e só fazendo check in após a plena confirmação de que você vai estar no portão de embarque na hora certa.
  5. A minha experiência? Comprei passagens de reservas diferentes com pouco mais de duas horas entre o desembarque de um voo e o embarque no outro. A chance de dar tudo errado era bem grande. Por uma enorme sorte, consegui trocar a segunda passagem sem custo de alteração.

Como chegar até o Aeroporto de Guarulhos?

Depois que eu consegui trocar o horário da minha passagem, respirei em paz. E comecei a planejar a minha logística de ida ao Aeroporto de Guarulhos, assim como a saída do Aeroporto de Santiago.

As opções de qualquer pessoa que precisa sair de São Paulo para chegar até o GRU são:

  1. Dirigir o próprio carro e deixá-lo em um dos estacionamentos do aero
  2. Pedir para algum familiar ou amigo te deixar lá.
  3. Pegar um táxi ou Uber
  4. Ir até um dos pontos de saída do Airport Bus Service e pegar o ônibus
  5. Fazer todo o trajeto de metrô e trem
  6. Ir até a estação Tatuapé do metrô (Linha Vermelha) e pegar a linha 257 da EMTU

Avaliando as opções

De todas as escolhas, a única que eu não testei até agora, e nem pretendo, é a primeira. Não tenho carro e tampouco penso em comprar um. Dessa forma, posso dizer que sou uma expert em meios de locomoção para esse trajeto. Só não me peça dicas de estacionamento, porque aí eu não vou conseguir te ajudar.

Transporte público

Enfim. Fazendo uma breve síntese, as opções de transporte público (5 e 6) funcionam bem se você só vai viajar com uma mochila, ou de repente vai ao aeroporto sem ter uma viagem marcada. Vai recepcionar alguém? Quer dar uma rolê pelos terminais? Vai de trem que é sucesso. Os ônibus da EMTU também servem, mas a CPTM é mais confortável.

Se você tiver com o tempo apertado ou estiver carrendo uma mala de rodinhas, eu desaconselho fortemente usar o sistema público. A não ser que você não tenha outra escolha e precise economizar mesmo, evite. Eu fiz isso quando fui para o Uruguai e me arrependi amargamente.

Uber versus Carona

A opção mais barata, obviamente, é conseguir uma carona (2). Mas eu sei que nem sempre isso vai funcionar. Meu pai costuma me levar ao aeroporto, mas a última vez que ele conseguiu fazer isso foi em junho de 2018, quando fui para a Europa. De lá pra cá, compromissos o impedem de me ajudar nesse quesito, tanto por uma questão de tempo quanto de locomoção. Guarulhos é longe demais, queridos.

Temos também os carros particulares. Sejam táxis ou carros de aplicativo, eles são a melhor opção de trajeto até o GRU. A mais confortável. A mais prática. A mais ágil. E também a mais cara. Eu tento evitá-la ao máximo, mas costumo recomendá-la para quem não está muito familiarizado com o transporte de São Paulo ou não tem como pegar uma carona.

Airport Bus Service

Uma escolha legal, com preço OK e muito conforto é o Airport Bus Service. Os ônibus são da EMTU, mas são de viagem, mega confortáveis (água, WiFi, ar condicionado, entrada USB televisão) e bem práticos. Mas só se você mora perto de um dos pontos de embarque. Ele se torna inviável caso você não resida próximo dos locais de onde o ônibus sai, porque ter que encarar o metrô, um ônibus ou pagar um Uber para chegar até ele pode não fazer o trajeto compensar. Pensando em termos de tempo e dinheiro.

Enfim, falemos da minha experiência em julho de 2019. Depois de analisar esse leque de possibilidades, fiquei com os ônibus executivos da EMTU. São três rotas: GRU <> Terminal Barra Funda/Terminal Tietê; GRU <> Aeroporto de Congonhas e GRU <> República/Jardins.

Como meu pai conseguiria me deixar em um dos pontos de embarque, fiz as contas e vi que seria uma ótima ideia. Na época, paguei R$ 40 na passagem de ida, e atualmente (maio de 2020), o valor se mantém. Para comprar, você pode usar o site do serviço ou comprar na hora. Como boa mulher prevenida, eu fiz a compra pela internet e deu tudo certo. Só fique atento aos horários de saída dos ônibus.

O processo de embarque não poderia ser mais simples. Você espera o ônibus chegar, apresenta sua passagem, entra no ônibus e fim. Os lugares não são marcados, mas isso não é uma questão. Em compensação, você vai ter água de graça, filme passando nas TVs, entrada USB e WiFi gratuito. Mesmo se a Marginal estiver congestionada, garanto que você nem vai perceber.

Minha única recomendação é ficar atento na chegada ao GRU. O ônibus para nos três terminais, então não durma e desça no terminal certo. Você não vai querer descer no T3 se o seu voo estiver marcado para o T1, né.

Terminal 3 – podemos só viajar por ele?

Eu esperei quietinha até o ônibus chegar no Terminal 3. Eu já declarei aqui meu amor por ele? Acredito que sim. Porque eu gosto muito desse terminal. Amo o pé direito alto. O vidro por toda a parte. E a consequente iluminação infinita. Amo a disposição dos balcões de check in. E amo que ele é projetado para que você não queira ficar na área pré-embarque. Você vai ser empurrado para a fila da segurança. Mas antes, se lembre de fazer o check in.

E no meu caso, de trocar dinheiro. Minha vida em 2019 foi um tanto quanto conturbada. Faculdade. Estágio. TCC. Editora-chefe de um site da faculdade. Problemas de saúde mil. Morar longe da faculdade e do trabalho. E eu ainda arrumei umas viagens no meio tempo, porque ele estava sobrando, né?

Enfim. No meio da confusão de fim de semestre (viajei dia primeiro de julho), eu não tive tempo para trocar um pouco de dinheiro antes da data da viagem. No caso da América do Sul, eu gosto de chegar no país já com um pouquinho da moeda local. Costumo trocar apenas o valor mínimo da casa de câmbio, porque fazer o câmbio no destino sai mais barato.

Segundo dados oficiais do GRU Airport, dois bancos são os responsáveis pelo serviço no aeroporto. O Banco do Brasil e o Banco Safra. Eu preciso mencionar que já troquei dinheiro em um posto do Bradesco, no Terminal 2. Mas como isso aconteceu em 2014, te recomendo confiar no site do aero. É mais seguro.

No Terminal 2 (embarque) você pode trocar seu dinheiro no BB. Enquanto o Safra está localizado nos embarque e desesmbarque do Terminal 2 e também no embarque do Terminal 3. Foi lá que eu troquei alguns reais por pesos chilenos. A cotação estava péssima. Mas eu não tinha opção: chegaria tarde demais em Santiago para arriscar ficar sem dinheiro.

E aqui fica uma lição. Se organize. Porque você só efetivamente consegue economizar em viagens se planejar tudo direitinho. 

Check in e um leve transtorno climático

Como eu já tinha feito meu check in online, apenas me dirigi aos tótens da LATAM para imprimir meu bilhete de embarque. O terminal 3 estava lotado. Começo de férias de julho, né. É sempre assim. Então peguei uma pequena fila e esperei a minha vez.

Feito isso, eu corri até o banheiro para resolver um problema bem típico de quem só viaja com uma mala de mão. Por mais que o dia primeiro de julho esteja dentro dos limites do inverno do hemisfério sul, não fazia frio naquele dia. Segundo o AccuWeather, fez 26ºC no primeiro dia do mês. Estava bem quente. O que não condizia com as minhas roupas do momento.

Por mais que sempre falem que viajar no frio é mais fácil, você não precisa de tanta roupa, eu tenho algumas ressalvas. A começar pelo tamanho das roupas. Casacos são grandes. Calças, também. Botas, nem se fale. Você nem precisa fazer contas para descobrir que as peças para 10 dias não caberiam na malinha de mão azul turquesa que eu carrego pelo mundo.

Isso porque eu pegaria um frio considerável em Santiago, e dias de frio insuportáveis no Atacama – não se engane, desertos não são bolhas de calor na face da Terra. Assim, eu precisaria de dois casacos, dois suéteres, duas fleeces, uma calça jeans, algumas leggings e mais uma vida de calças e blusas térmicas.

Roupas térmicas sob 26ºC

Sou bem prática e sobrevivo com pouca coisa. Inclusive organizei todas as combinações para todos os dias, levando em consideração repetições e peças que seriam lavadas. Mesmo assim, minha mala não seria o suficiente para comportar dois casacos. Então eu teria que vesti-los.

Saí de casa com uma calça térmica, uma calça jeans, duas meias, bota, um suéter e dois casacos nos braços. Se você estava no Aeroporto de Guarulhos e viu um ponto laranja que mais se parecia com um armário ambulante, pode ter certeza que esse alguém era eu. Coordenar tudo isso com uma mala de rodinhas e uma mochila não foi nada fácil. E até me lembrou o dia em que vesti milhares de peças de roupas na Espanha para não pagar taxa de peso extra.

Eu já estava morrendo de calor. Então fui ao banheiro, tirei o suéter e coloquei uma blusa mais leve. O único porém era que o suéter não caberia na minha mala. Então eu aumentei uma peça ao cabide ambulante que era meu braço esquerdo. Que também equilibrava um passaporte e uma passagem. Enquanto o direito puxava a mala de mão e mantinha o ombro o mais alto possível, para a mochila não cair.

Se você está procurando motivos para a sua lista de contras de viajar sozinha, aqui vai um: ninguém surgirá do portão de embarque para te ajudar com a bagagem. Ao mesmo tempo, esse contra vem com um pró: ninguém conhecido estará por perto para rir de você.

Segurança e área de embarque

Sempre, sempre, sempre chego bem cedo no aeroporto. Tanto por ser precavida quanto por amar aeroportos. Por isso, mesmo que a fila da Polícia Federal esteja gigantesca, isso não costuma me afetar. Naquele dia, havia um movimento maior do que o das minhas últimas viagens. Mas tudo sob controle. Inclusive, desde que implantaram o sistema de tótens de reconhecimento de passaporte, a vida ficou mais fácil.

Após passar pelo raio-x sem nenhum problema, me direcionei à fila especial (apenas para maiores de 18 que possuem passaporte com chip) e pronto. Basta posicionar a página principal do documento na máquina e olhar para a câmera fotográfica. Em menos de dez minutos deixei as filas em caracol para chegar ao freeshop.

Freeshop este que eu nunca presto muita atenção. Sempre por não ser nem um pouco consumista. Dessa vez, por medo de esbarrar minha pilha de roupas em algum perfume ou garrafa de vinho. E ter que deixar todo meu dinheiro por ali.

Enfim, estava na área de embarque. E como ela é gigantesca. Meu voo de São Paulo a Santiago ainda estava distante. Então demorariam a anunciar meu portão de embarque. Aproveitei o tempo para fazer o que faço de melhor: ouvir conversas alheias, adivinhar de onde as pessoas são e comer.

A atmosfera dos aeroportos me seduz. Ela hipnotiza e é capaz de me fazer desistir de tudo só para viver dentro de salas de embarque. Pra mim, uma das melhores partes de viajar é estar em aeroportos e aviões. Absolutamente tudo me fascina. Dos balcões das companhias aéreas até o finger. E talvez por isso eu pareça uma pessoa que nunca andou de avião toda a vez que piso em uma área de embarque.

Nada no mundo é capaz de me deixar mais feliz. É a adrenalina da linha de saída. Aquele pequeno conjunto de segundos que te engolem. Tudo ali parece possível. O mundo a algumas asas de distância. E você, a poucos passos de embarcar em qualquer uma delas.

Embarque de São Paulo a Santiago com a LATAM

Em algum momento eu precisei ser arrancada do modo fantasia para voltar à seriedade da coisa. Pouco mais de uma hora antes do meu voo, me dirigi ao portão de embarque e fiquei atenta. O sol se escondia por entre as aeronaves enquanto outros passageiros se aglomeravam ao meu redor. E não demorou muito para a LATAM começar seus dois procedimentos padrões. O primeiro, pedir para que os passageiros voluntariamente apresentem suas malas de mão para serem despachas.

Isso porque, como sempre, o voo estaria lotado. O que também fez a companhia oferecer créditos para quem cedesse seu assento. A segunda oferta costuma parecer tentadora. E às vezes, ela pode ser. Eu mesma fiz as contas para calcular se valeria a pena. Mas a resposta foi não. Eu só embarcaria para Santiago na manhã do dia seguinte, e assim, perderia uma boa parte do meu tempo na cidade.

Se a sua viagem for curta, eu sempre recomendo deixar os créditos para lá. Se você tiver um bom tempo no seu destino, talvez valha a pena aceitar. Mas nunca faça nada por impulso. Um grande clássico do Disney Channel, chamado O Natal de Boa Sorte Charlie, já nos ensinou isso.

Passadas as mensagens-padrão, a LATAM efetivamente começou a organizar o embarque. Eles já tinham adotado o sistema de filas numeradas, o que deixa toda a logística mais organizada. Ou pelo menos deveria. Porque muita gente simplesmente ignora o número inscrito no cartão de embarque. E entra na fila que bem entender.

Eu era do grupo quatro, então aguardei liberarem a minha fila antes de voltar a me equilibrar com uma mala, uma mochila e alguns casacos pelo braço. Embarque tranquilo. Feito pelo finger. Com a demora habitual e os procedimentos de sempre.

A320 da LATAM – voo LA9462

Aquele era o voo LA9462, realizado em um A320. Eu brinco que se você quiser apostar qual a aeronave de qualquer voo da LATAM no Brasil ou América Latina, colocar o seu dinheiro no A320 é uma ótima opção. Para a aposta, e não para o voo.

A configuração 3-3 não é das mais confortáveis para um voo de quatro horas. Se você estiver em um voo tranquilo de até umas três horas, até dá para encarar. Mas suas pernas e costas vão sofrer de São Paulo a Santiago com a LATAM. Talvez eu tenha probleminhas de saúde demais. Ou talvez minhas pernas sejam compridas demais. Eu não sei.

Apenas afirmo que esse não foi o pior voo da minha vida, mas também não foi o melhor. Se eu tivesse comprado um assento na premiun economy, quiçá teria viajado mais tranquila. Mas isso não aconteceu. Então cruzei a Cordilheira dos Andes sem espaço para os joelhos e nem entretenimento de bordo.

Mas chega de classe média sofre, né? Pude trabalhar para juntar o dinheiro dessa viagem, então apesar de tudo, estava bem felizinha no meu assento na janela. Eu posso até reclamar, mas sempre estarei feliz em um voo de começo de férias. Mesmo se eu precisar voar em pé.

Entretenimento e serviço de bordo

Como já falei do item conforto, passemos para o próximo. Entretenimento de bordo. Ele se resume às revistas da LATAM, dispostas no bolsão de cada assento. Eu gosto bastante do conteúdo da companhia, mas ele não dura quatro horas. Eu queria mesmo era uma série para assistir. Mas tudo bem. Tinha algumas baixadas no celular.

Falando em celular, acho importante frisar a existência do LATAM Play. O serviço é um entretenimento de bordo individual, ou seja, você baixa o app no seu dispositivo (antes de entrar no avião) e depois, se conecta ao WiFi da aeronave. Lembrando que essa rede é específica do LATAM Play, ou seja, não te dá acesso ilimitado à internet.

Feito isso, um ótimo catálogo de filmes e séries é disponibilizado aos passageiros. Se o WiFi funcionar. Obviamente, não é a mesma coisa que ter uma tela de tamanho razoável na sua frente. Mas já é alguma coisa.

Sobre o serviço de bordo, a LATAM serviu um pequeno lanche assim que decolamos. Na bandeja, um sanduíche, uma salada de fruta e uma opção de bebida. O serviço era igual ao oferecido nos meus voos entre São Paulo e Montevidéu, em janeiro de 2019, e ambos estavam ok.

Não era a melhor refeição do mundo, mas fiquei satisfeita. Se no contexto do Uruguai achei a iniciativa interessante, visto que os voos não duraram muito mais do que duas horas, no caso do Chile achei mera obrigação. O tempo de voo era o dobro, afinal.

Desermbarque no Aeroporto Internacional Comodoro Arturo Merino Benítez

A parte mais traumática desse voo foi sair dele. Depois de uma viagem bem tranquila, peguei minhas malas e roupas, desci pelo finger, e senti o ar gelado de Santiago pela primeira vez. Nos meus planos, eu não demoraria mais de meia hora na imigração, e assim poderia pegar meu transfer até o hostel. Doce sonho.

A imigração da capital chilena é a mais bagunçada e demorada que eu já vi. Fiquei quase duas horas na fila para ter meu passaporte carimbado. Isso já no começo da madrugada. Sendo que eu não poderia perder a minha van. E havia notificado meu horário de chegada para o hostel. Para melhorar tudo, o WiFi não funcionava de jeito nenhum.

Com poucos guichês abertos, os passageiros dos vários voos que chegaram mais ou menos no mesmo horário não tinham outra opção. Só nos restava esperar.

Como sair do Aeroporto de Santiago?

Passadas as horas de agonia, a imigração em si não durou nem um minuto. O agente perguntou a minha profissão, se a viagem era a trabalho ou turismo, e o nome da minha acomodação. Passaporte carimbado, hora de oficialmente entrar no Chile. O que inclui passar por uma alfândega super rígida com o controle de animais e vegetais que entram no país. Mas não me pararam – e eu não tinha nada a declarar.

Bom, e como fazer para sair do Aeroporto de Santiago?

Isso depende do horário que seu voo pousar. Se você alugar um carro, isso não vai ser um problema. Mas se você quiser usar o transporte público, vai. A estação de metrô mais próxima – Pudahuel, linha 5 – fica a 15 minutos de distância, de carro. Mas ela não vai te ajudar muito.

Primeiro porque o metrô não funciona 24 horas. De segunda a sexta, ele abre às 6h e funciona até às 23h. Aos sábados, das 6h30 às 23h. Enquanto aos domingos e feriados, as estações só abrem das 8h às 22h30. Se o seu voo chegar dentro desses horários, e você estiver disposto a pegar o transporte público com malas de rodinha, podemos conversar.

Opções de ônibus

Para chegar até o metrô, você vai ter que pegar um ônibus. As opções são as linhas da Turbus e da Centropuerto, que saem do primeiro andar do aeroporto. Com a Centropuerto, você sai do aero e vai até o centro. Com a Turbus, pode ir até o centro ou para Valparaíso e Viña del Mar, no litoral da região metropolitana de Santiago.

Os ônibus da Centropuerto vão até a estação de metrô Los Héroes, no centro. O trajeto cobre uma série de outras estações, sendo elas a Pajaritos, Las Rejas, Universidad de Santiago, Estación Central e U.L.A. Os veículos saem a cada dez minutos, das 06h às 23h, e a cada meia hora durante a madrugada. O valor de ida e volta custa 3.400 pesos, enquanto apenas uma perna do trajeto vai te custar 1.900 pesos.

Por sua vez, a Turbus vai até a Estación Central. Os valores são os mesmos da Centropuerto, porém a frequência de ônibus muda um pouco. Eles saem a cada dez minutos, das 05h à meia noite, e a cada 30 minutos durante a madrugada.

Como puderam perceber, as linhas passam por várias estações de metrô, mas nenhuma delas é a Pudahuel. Eu falei que ela não ia te ajudar muito.

Transfers e vans compartilhadas

Enfim, eu espero já ter te convencido de que o transporte público não é muito viável na madrugada. Por isso, as melhores opções são os transfers particulares ou vans compartilhadas. Você vai se perguntar: mas e os táxis e os Ubers? Bem, taxistas de Santiago são conhecidos pelos golpes em turistas, enquanto o Uber não é regulamentado no Chile e, por isso, não circula pela região do aeroporto.

Uma opção são os táxis oficiais do aeroporto. Eles são mais seguros porque o pagamento é antecipado e o serviço é oficial, porém, ainda sim eu teria receio.

Se a falta de opções te deixou chateado, saiba que aconteceu o mesmo comigo. Mas com a oferta de vans compartilhadas – ou privadas, também, vai do seu bolso e preferência – é  também é pequena, me conformei com o único cenário possível.

O sistema é idêntico ao que eu descrevi nos meus posts de Montevidéu, porque lá eu também usei vans compartilhadas para sair do aeroporto. Você pode reservar o serviço online ou na hora, por valores bem razoáveis (paguei uns R$ 80 para ida e volta), e depois espera na fila da empresa que você contratou. O motorista vai validar a sua passagem, acomodar suas bagagens e te deixar no seu local de hospedagem.

Tá, e qual empresa devo contratar? Eu fiz os trajetos com a Turbus e a recomendo. Mas a outra opção é a Transfer Delfos.

A minha experiência

Como eu havia contratado o serviço pela internet, assim que saí da imigração corri até o guichê da Transvip. O Aeroporto de Santiago é bem bagunçado, de um modo geral, mas para chegar até as empresas de transfer, não há muito segredo. Você só precisa seguir as placas de saída, que assim que visualizar o portão para deixar o aero, os guichês estarão à sua esquerda.

Ali, eu informei que precisava retirar meu bilhete e mostrei as informações de confirmação no meu e-mail. O atendente então imprimiu dois papéis: um para a ida, e outro para a volta. Guarde bem o bilhete da volta, porque sem ele, você não consegue entrar na van.

Pois bem, com o papel em mãos, segui as indicações do funcionário e saí das dependências internas do aeroporto – para um frio de graus negativos. Parei na fila sinalizada e esperei. Demorou mais ou menos meia hora para eu conseguir entrar na van, mas não me importei muito. Por fim, dividi o veículo com mais algumas pessoas, e o motorista começou a saga de deixar cada um em seu respectivo destino.

Jornalista, sim

E falando do motorista, vamos comentar sobre ele. Muito simpático, começou a conversar com todo mundo e eventualmente me perguntou de onde eu era. Já devo ter falado por aqui que detesto falar que sou brasileira, e nunca faço isso espontaneamente. As reações costumam variar entre “nossa, você não parece brasileira” e “hmmm, brasileira, hein”, então eu prefiro evitar a fadiga. Especialmente quando estou sozinha.

Dessa vez, porém, eu fui salva pela experiência do motorista em terras brasileiras. Ele morou aqui por muito tempo, é casado com uma brasileira e tem filhos que moram aqui. Então o foco da conversa passou para ele, e eu respirei aliviada. Até ele voltar a falar comigo e perguntar a minha profissão.

Eu sou jornalista. Tenho muito orgulho disso, da minha profissão e dos meus colegas. Mas eu sei que o mundo não nos enxerga assim. No geral, as pessoas não entendem o papel e o trabalho do jornalista. E isso ficou bem claro quando o motorista me perguntou se eu era uma jornalista boa ou ruim.

Para algum desavisado, essa pergunta pode até soar engraçada, mas quem está na área da comunicação entendeu muito bem o que ele quis dizer. Jornalistas não são bem quistos por governo nenhum, então essa pergunta deixa bem clara a posição política do nosso amigo motorista, que conhecia bem o Brasil.

O Brasil que sempre detestou a imprensa, mas que tem alimentado um ódio ainda maior nos últimos anos. Que acha divertido ameaçar jornalistas de morte. Que dá risada da tortura e morte sofridas por profissionais da mídia durante a ditadura. Que adora ser o quarto país mais perigoso para ser jornalista.

Bom, como comunicadora que sou, dei um jeito de manter a conversa leve e, o mais importante, não discuti com o apaixonado pela Lava Jato que dirigia ao meu lado. Tirando essa situação desconfortável, e potencialmente perigosa se a van não estivesse cheia, correu tudo bem. Cheguei sã e salva no meu hostel. Com a consciência de que mentir a minha formação poderia ser mais seguro para mim. Mas isso é algo que eu definitivamente não quero fazer.

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