América do Sul,  Chile,  Museus,  Parques,  Passeios Culturais,  Santiago

Museu Nacional de História Natural do Chile, em Santiago: um vislumbre da natureza chilena

O Museu Nacional de História Natural faz parte da tríade de museus nacionais de Santiago. Ele completa o trio junto do Museu Nacional de Bellas Artes e do Museu Histórico Nacional. Mas fica um pouco distante dos outros dois.

Enquanto o Museu de Bellas Artes e o Museu Histórico ficam no Centro Histórico, o Museu Nacional de História Natural fica no Parque Quinta Normal. Ele é um dos vários museus do parque, que nomeia a região ao seu redor e é um ótimo passeio na capital chilena!

Parque Quinta Normal em Santiago

(Inclusive, o Museu da Memória e dos Direitos Humanos fica literalmente na frente do parque!)

Então vamos conhecer mais o Parque Quinta Normal, começando por um museu gratuito.

Neste post você vai encontrar:

Informações sobre a história do MNHN. Detalhes sobre o seu acervo e setores. Explicações sobre cada uma das alas de exposição. Sugestão de roteiro pela região do museu. E dados práticos sobre o MNHN.

Museu Nacional de História Natural

Ao redor do mundo, museus de história natural são focados na natureza de um determinado local e sua trajetória ao longo dos século – ou milênios. No caso de Santiago, o Museu Nacional de História Natural possui um gigantesco acervo sobre a evolução no atual território Chileno.

História e organização do MNHN

Fachada do Museu Nacional de História Natural do Chile em Santiago

O museu ocupa o mesmo edifício em estilo neoclássico desde 1876, contudo, ele existe desde 1830. Seu objetivo inicial era ser um gabinete com as principais formas vegetais e minerais do país. Mas o cenário mudou ao longo dos anos.

A primeira ala foi a de Botânica, Zoologia e Mineralogia. E aos poucos, o museu ganhou novos setores. Como o da Entomologia, Antropologia, Botânica criptogâmica e Aracnologia e Insetos. Atualmente, as áreas de curadoria do museu são Antropologia, Botânica, Paleontologia, Zoologia de vertebrados e invertebrados e Entomologia.

Assim como na maioria dos museus, no MNHN o trabalho de cada um dos setores vai além da divulgação científica. Há todo um trabalho de coleta, investigação e conservação do patrimônio. E uma das partes mais legais disso é que alguns dos pesquisadores trabalham em casas de vidro! Então quando andamos pelo prédio, podemos observá-los em suas rotinas.

Exposições permanentes

Quando entramos no Parque Quinta Normal e andamos até o MNHN, damos de cara com seu incrível prédio neoclássico, provavelmente povoado por crianças curiosas e animadas. Esse museu é perfeito para crianças, já adianto. Mas também ressalto que qualquer pessoa interessada pelos ecossistemas chilenos e sua evolução vai adorar o passeio.

Adentrar o edifício já é ser apresentado a uma série de atrações que saltam aos olhos. A primeira é um esqueleto suspenso. Que pende sobre o saguão e nos apresenta as entradas para as duas exposições permanentes do museu. Ao centro, a famosa Sala da Baleia. Que exibe um enorme esqueleto de baleia e outros mamíferos embalsamados. À esquerda, encontramos a exposição Chile Biogeográfico. Que toma todo o resto do primeiro andar do MNHN.

Hall do Museu Nacional de História Natural com um esqueleto animal suspenso

Recomendo começar a visita por ali. E também recomendo ler o tóten que apresenta a exposição. Ele me fez chorar bem ali, menos de cinco minutos depois de chegar ao museu. O texto exibido é esse aqui:

“No hay como un museo para calmar la mente, para ver los problemas de la vida cotidiana en su real perspectiva. Aquí, rodeados por las maravillas de la infinita variedad de las Naturaleza, se recuerdan verdades olvidadas. Sólo somos una criatura entre las miles con las que compartimos la Tierra. Toda la raza humana con sus esperanzas y miedos, sus triunfos y locuras, podría no ser más que un incidente en la historia del mundo.

Frase na entrada do museu

Se assim como eu, você viaja para colocar sua vida e seus problemas em perspectiva, eu tenho uma boa noticia. Saiba que o Museu Nacional de História Natural do Chile se encaixa perfeitamente em nossa filosofia de vida.

Leia também: Como é ficar no Newen Kara Hostel em Santiago

Chile Biogeográfico

Sala do altiplano chileno no MNHN

A principal exposição do museu foi concebida em 1982. Seu objetivo era exibir a biodivesidade natural e cultural do país “através de dioramas e vitrines com objetos da coleção”, de acordo com o site oficial do MNHN. Hoje em dia, ela já foi renovada diversas vezes, incorporando novos serviços e tecnologias para melhorar a experiência dos visitantes. Mas sua essência permanece a mesma.

Ela é dividida em 11 estações interativas, que basicamente acompanham a geografia chilena. São elas a origem, zona desértica, duas estações de trabalho, zona subdesértica, zona mediterrânea, zona de transição, zona temperada, zona austral, Antártica chilena o mar chileno e suas ilhas.

Réplica de Moai

A exposição é gigantesca. E eu diria que você precisa de pelo menos uma hora para passar com atenção por todas as suas salas.

Como eu já adiantei, elas são organizadas de acordo com as regiões do país. E isso te mostra como um país tão estreito pode ser tão diverso! Desde o deserto do norte até as gelerias do sul, passando pelos climas temperado e mediterrâneo, o Chile faz seus olhos brilharem em uma verdadeira aula de história, geografia e biologia.

E eu recomendo visitar o MHNH nos seus primeiros dias no Chile por causa disso. Ele te ensina demais. E passeios posteriores para o litoral ou para a Cordilheira dos Andes, ou a continuação da sua viagem, ao sul ou ano norte, serão muito mais ricos!

Salón Principal

O cartão-postal do museu fica bem ali. Disposto no centro da sala, o esqueleto de baleia ganha todas as atenções. Ele está ali desde 1895 e é da espécie Balaenoptera borealis, conhecida como baleia-sei ou baleia-boreal.

Esqueleto de baleia no Museu Nacional de História Natural em Santiago

Porém, o salão principal não se resume à baleia. Lá você também encontra outros grandes mamíferos embalsamados.

Exposições temporárias

Para além das duas exposições permanentes, o MNHN também exibe mostras temporárias. Em geral, elas são anuais. E ocupam o salão principal.

Nos últimos anos, algumas das exposições foram sobre dinossauros, zonas úmidas, lagartixas e a cultura chinchorro.

Leia também: Centro de Santiago: guia de pontos turísticos para conhecer

Crianças, museus e o encantamento desbotado

Eu tive a sorte de conhecer o museu com crianças. Que são os seres mais especiais desse mundo. E fazem de qualquer visita a museus uma experiência à parte. Vocês se lembram do quão empolgados nós éramos quando pequenos? De como tudo parecia magnífico e especial, principalmente em museus? Essa energia infantil me deixou ainda mais emocionada no Museu Nacional de História Natural. Porque com o tempo, a gente perde o encantamento.

Salão principal do MNHN

Aliás, ainda sou uma pessoa extremamente animada, que fica deslumbrada com qualquer coisa. Mas já não sou mais uma criança. Os braços que não conseguem parar quietos. As línguas que exteriorizam o êxtase do cérebro. A vontade de saber, conhecer, perguntar e descobrir. Inclusive, de perguntar para qualquer um. Perdi as contas de quantas vezes tive que gastar meu espanhol para explicar as exposições para mini chilenos. E eu faria outras milhares de vezes. Porque eu sei como ser essa exata criança impactou em toda a minha vida.

Museus sempre me emocionam. Seja pela importância que eles têm na minha vida ou pelo papel que desempenham no mundo. Mas quando há crianças envolvidas, eu fico emocionada em dobro. Pequenos curiosos se tornam adultos curiosos e informados. Ávidos por respostas e ideias fora da curva. Preocupados com o outro e com o mundo. E é nessas pessoas que eu deposito minha esperança.

Certamente é reducionista falar que levar crianças a museus faz do mundo melhor? Sim, é muito. O que eu uso aqui é uma metonímia. Que deixa os museus encarregados da caixa de pandora que a gente deveria permitir às crianças abrir.

Sugestão de roteiro: Quinta Normal e Yungay

Enfim, quer conhecer o Museu Nacional de História Natural? Então pode ser uma boa ideia combinar o passeio com outros lugares da região. O museu fica no bairro chamado Quinta Normal, dentro do parque de mesmo nome.

Lá você também encontra outros museus incríveis, como o Museu de Ciências e Tecnologia e o Museu de Arte Contemporânea! Meu destaque vai para o Museu da Memória e dos Direitos Humanos. Que não fica no parque, mas bem na frente dele. Ele é extremamente necessário, e eu recomendo muito a visita.

Mas o passeio pela região não precisa parar por aí. Como boa viciada em caminhadas que sou, principalmente quando viajo, decidi andar desde o Parque até a região do Centro Histórico de Santiago. O resultado? Descobri dois bairros incríveis. Que nunca tinha aparecido nas minhas pesquisas!

São os bairros Yungay e Brasil. Eles ficam entre o parque Quinta Normal e o Centro Histórico, e são maravilhosos! Comecei andando despretenciosamente. Até que casas lindas e coloridas e grafites e palmeiras e parques invadiram minha vista. Eu fiquei tão encantada com a região, que decidi me enfiar em ruas paralelas. E isso atrasou todo meu cronograma para aquele dia, mas sinceramente? Eu nem me importei.

Enfim, minha parte favorita de viajar é essa. Saber que mesmo com o mínimo esforço, eu vou fazer descobertas incríveis.

Bom, a região estava bem vazia e eu era praticamente a única andando pelas ruas. E a gente já sabe. Locais com pouco movimento passam a ideia de violência iminente. Além disso, muitas casas pareciam abandonadas e pouco preservadas. Mas eu passei por alguma situação que me fizesse acreditar nisso? Não.

Só que esse senso de preservação me obrigou a deixar o celular e a câmera dentro da bolsa, então não tenho fotos da região. O que é uma verdadeira pena. Porque tanta arte e arquitetura histórica mereciam alguns registros.

Museu Nacional de História Natural: Serviço

Endereço: Parque Quinta Normal, na frente da estação Quinta Normal do metrô.
Contato: comunicaciones@mnhn.gob.cl
Site: https://www.mnhn.gob.cl/
Funcionamento: De terça a sábado, das 10h às 17h30. Aos domingos e feriados, das 11h às 17h30.
A entrada é gratuita.

Um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *